Reunião com os Profissionais Motociclistas do Projeto Canal*MOTOBOY
A filósofa alemã Hannah Arendt, ao pensar a política, dizia que esta é uma relação — baseada na pluralidade dos homens e deve, portanto, tratar do convívio entre diferentes. A política acontece no espaço entre os homens, logo, não está no homem, mas fora dele. Isso, pois, os diferentes se encontram com liberdade e espontaneidade e, “com direitos iguais que os mais diferentes garantem a si próprios”, criam um espaço para o diálogo e para a ação, que gera o novo.
Em todo lugar que os homens se juntam, surge um espaço que os une e os separa ao mesmo tempo. Esse espaço na vida privada vira costumes, na vida social vira convenções e na vida pública vira leis, estatutos, constituições. É “nesse interespaço que ocorrem e fazem-se todos os assuntos humanos.”
O espaço entre os homens é o mundo; não é a expressão da natureza humana, mas produto da ação dos homens. Eles agem nesse mundo e são condicionados por ele. Se esse mundo sucumbir, sucumbe junto o homem, pois a preocupação com o interior do indivíduo desvia dele sua possibilidade de agir. O mundo se reflete no homem. Não se pode, portanto, mudar ou tratar um reflexo.
Segundo Ted Nelson "é trabalho do artista encontrar oportunidades" e provocar novas transformações na sociedade. O que faz com que a Internet seja um "ambiemte de novas sociabilidades", pois põe em relação pessoas dos mais diversos lugares do mundo, em busca de interesses em comum.
A Internet surge no momento de maior poder da globalização e da individualização na sociedade ocidental. Ela é uma vitrine que reflete esses movimentos e produz, então, novas sociabilidades. Como "meio" ela pode ser usada para comunicar, o que provoca relações e mudanças. Ela pode ser um novo ambiente, para novas sociabilidades, mas como o teórico da globalização Fredric Jameson salienta, "globalização" não signifa apenas tecnologia e seu aspecto não se restringe à esfera cultural, que pode sim celebrar o "aparecimento, na esfera pública, das vozes de uma imensa gama de grupos, raças, gêneros, etnias, constituíndo uma quebra das estruturas que condenavam segmentos inteiros da população ao silêncio e à subalternidade [...]", mas que, na esfera econômica, podem representar exatamente o contrário, ou seja, de uma diferenciação, passa-se a uma constante identidade e perda de autonomia. Pior, para Jameson, a mistura entre cultura e economia, uma característica da chamada pós-modernidade, se exemplifica na hegemonia norte-americana da indústria cinematográfica, que usou historicamente de pressões econômicas para invadir mercados e consolidar uma forma específica de simbolizar o mundo. Resta saber, portanto, para onde seguirão as novas sociabilidades criadas por um meio que possui especificidades para além de seu suporte tecnológico.
este ambulante se prepara para mais um dia.(bom trabalho)
Segundo dados da CET, em dez anos houve um aumento de quase 1.000% na venda de motos no país. Um fenômeno mundial. No Brasil, tudo passou a ser feito por motocicletas, um veículo que praticamente não existia há vinte anos atrás. As ruas não são feitas para elas: o pavimento não é adequado, a altura e o padrão da sinalização não é adequado, o gabarito das ruas não é adequado e a cultura criada ao longo do tempo não absorve a presença das motos em meio ao trânsito citadino
Moto varias utilidade sem moto o .Brasil para.
congestionamento na av. brasil.
As ruas da cidade foram feitas para automóveis. Na época, nem se pensava na eventualidade de motocicletas. Nenhuma metrópole do mundo apresenta um problema dessa magnitude. O espaço entre os carros é uma convenção de segurança: cada automóvel deve guardar uma distância segura do outro, daí o desenho das ruas e avenidas, com suas faixas disciplinadoras. A motocicleta que aparece nesse espaço subverte a regra e demanda, ou melhor, exige uma nova configuração.
A relação da motocicleta com o universo em que transita é completamente diferente dos automóveis. Outra cultura. A chuva é uma calamidade que coloca em risco a vida. Um pequeno buraco não afeta apenas o amortecedor, mas pode matar. Uma enxurrada não provoca aquaplanagem , mas um acidente de proporções graves. As faixas brancas que separam as pistas, por onde os motoboys andam, ficam escorregadias nas chuvas, podendo provocar acidentes. Os "olhos de gato" também afetam a dirigibilidade da motocicleta, principalmente na chuva. Obstáculos como caçambas de lixo, catadores de papel com seus carrinhos improvisados, animais na pista e outros perigos tornam-se especialmente desastrosos quando o veículo não possui uma carapaça metálica que envolva o motorista, como é o caso da motocicleta.
Nx falcom caio na curva.
A motocicleta, ao contrário do automóvel, não deforma quando se acidenta. Todo o impacto de uma batida é transferido para o piloto, cujo corpo exposto recebe as cargas físicas que no automóvel são reduzidas graças a vários dispositivos de segurança. As motocicletas mais caras possuem alguns itens de segurança, mas as mais baratas e populares entre os motoboys não apresentam tais dispositivos como itens de série. No entanto, o princípio mesmo da motocicleta é um fator que dificulta a transformação dela em um veículo "seguro". Esse risco é certamente um dos ingredientes de seu apelo imaginário.
Kombi derruba motociclista e foge sem prestar socorro (parei para tirar fotos para o canal motoboy e quando percebi a vitma era o meu amigo reinaldo)
Também segundo dados da CET, a maoria esmagadora dos acidentes fatais ocorre devido a colisões laterais, ou seja, a moto é atingida lateralmente, o motocilista cai e é atropelado em seguida. Dado o caráter frágil do corpo exposto, os ferimentos são geralmente graves. O serviço de resgate do corpo de bombeiros estima que a cada dez saídas para um atendimento de emergência, três são para resgatar um matociclista ferido ou morto. As motocicletas mais acessíveis apresentam poucos dispositivos de segurança, o que é agravado pela grande quantidade de motos sem condições de uso que trafegam pela cidade. Muitas motocicletas ainda usam um sistema de frieo à lona, em detrimento do sistema a disco, mais moderno. Na hora da freada de emergência, o custo do equipamento transfere-se ao estado que mobiliza sua infra-estrutura para cuidar da vítima. O Hospital das Clínicas de São Paulo já é um dos centros mundiais de amputação de membros inferiores — uma das áreas do corpo mais atingidas nas quedas de moto.
infelismente nao sobreviveu.
Reportagem de Rodrigo Brancatelli no jornal "O Estado de S. Paulo" de 19 de agosto de 2007: "Fernanda Cristina Pignataro sonhava tanto em virar jogadora profissional de futebol que já planejava mudar para os EUA e tentar a sorte nas ´peneiras´ (testes) dos times universitários de lá. [...] Na terça-feira [dia 14] três dias depois da festa de aniversário, ela tentava chegar ao trabalho por volta das 7h45 quando um carro a fechou. Ela tentou desviar para a esquerda, mas seu capacete enganchou num caminhão que vinha em sentido contrário.[...]"
O título da seqüência de matérias do caderno "cotidiano" dizia: "Em uma semana, 591 acidentes de moto".
As mortes no trânsito continuam ao ritmo de uma ao dia, segundo o jornal, com 25 feridos graves no mesmo período.
Por comparação, no ano de 2006, morreram 822 militares norte-americanos no Iraque e 6.398 outros foram feridos. Trata-se dos números de um país sob ocupação e na beira de uma guerra civil.